Como foi a Noite Instrumental #2 no Teatro de Bolso?

Como foi a Noite Instrumental #2 no Teatro de Bolso?

jun 29

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Na quinta-feira passada, dia 13 de Junho de 2013, rolou em Franca a segunda Noite Instrumental realizada pelo coletivo Guerrilha Gig com apoio da FEAC (Fundação Esporte, Arte e Cultura), no Teatro de Bolso da cidade. O evento, teve a abertura da bilheteria às 20:00hr.  As 20:45hr era dada a largada, e um grupo seleto – infelizmente – de umas trinta e poucas pessoas puderam aproveitar uma sonzeira estonteante num ambiente agradabilíssimo pela mísera bagatela de R$ 5.

Duas bandas se apresentaram nessa noite. A sonoridade foi embalada pelo gêneros drone, ambiente e noise. O primeiro grupo a subir no palco foi o Lühm, um projeto paralelo de dois músicos do Labirinto, encabeçado por Muriel Curi e Erick Cruxen, e que também conta com a participação de outros músicos esporádicos. A segunda apresentação ficou a cargo do ThisQuietArmy , projeto solo do sino-franco-canadense, Eric Quach, ex- integrante do DestroyAllDreams. O rapaz, com seis álbuns solo na bagagem, está numa bandolagem turnística que o tem levado a vários países da Europa, do continente americano e que agora o trouxe para uma breve circulação pelo território nacional, onde toca em várias cidades do centro-sul.

O TQA está lançando também um split com a banda Labirinto, pelo selo Dissenso Records. Vale a pena dar uma conferida no material de primeiríssima dos caras, que conta até com uma produção em vinil que dá gosto! 

A primeira coisa que impressiona ao assistir ao show dos músicos é a complexidade insuspeita que a técnica do estilo demanda. Quando ouvimos às faixas no sossego de nossa solidão, não temos noção da miríade de aparatos eletrônicos e pedaleiras mastodônticas que os músicos fazem uso. Os efeitos, embora sejam eletrônicos, são controlados manualmente pelos caras, e é impressionante – quase desnorteante, para falar a verdade – ver tão poucas pessoas no palco lidarem com a multiplicidade geométrica de combinações de texturas, efeitos, acordes, percussão – tudo ao mesmo tempo. Ouvindo de olhos fechados, o som convida à divagação, e fica impossível distinguir numa performance mental o malabarismo técnico que a sonoridade exige. Quando estamos ao vivo, frente a frente com os músicos, é que a coisa pega.

Lühm subiu ao palco por volta das 20:50. Dois integrantes, apenas. Erick Cruxen destila uma imensidão de sua guita com pedais (que por sinal é bem característico do som do Labirinto), enquanto Muriel Curi comanda bumbo e prato, mais mil e um recursos eletrônicos. O som segue uma linha crescente, começando a partir de um ponto calmo, com uma pegada mais leve e viajante, ditada pelas notas isoladas da guitarra. No decorrer do tempo, a música vai tomando corpo, envolvendo mais texturas e efeitos que se sobrepõe, até terminar de maneira abrupta em zumbidos (drones) e efeitos que dissolvem a atmosfera criada. As músicas duram uns bons 10 minutos e são acompanhadas por uma projeção que casa muito bem com a atmosfera ambiente e soundtrack do estilo. A despeito da definição que os músicos dão à própria sonoridade, que promete por meio de “timbres infernais” “transportar o ouvinte ao mais profundo martírio auditivo” (ainda mais reforçada pela ideia sugerida pelos nomes dos estilos que a sonoridade da banda se insere), ouvir e assistir a um show do Lühm passa longe de ser uma tarefa desagradável. Muito pelo contrário: a combinação de efeitos e chiadeiras e bonitas melodias guitarrísticas é o que há de mais fino no convite ao relaxamento e ao devaneio.

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Pouco menos de meia hora de apresentação e os músicos deixam o palco para o ThisQuietArmy fazer seu espetáculo. Dessa vez é apenas um músico no comando da guitarra, pedais e samplers que controlam o ritmo eletrônico da bateria gravada. As músicas seguem a mesma lógica temporal que as da banda anterior. Os efeitos eletrônicos zumbem e abrem caminhos pras notas soltas da guitarra, ainda muito tímidas. Com o decorrer da música o homem-polvo que Eric parece encarnar vai adicionando efeitos e texturas, distribuindo toques nas dezenas de botões que compõem seu arsenal eletrônico, e que lembram muito os painéis de espaçonave dos velhos filmes de ficção científica. O controle que o músico demonstra na atividade de manusear os efeitos e seus respectivos botões enquanto toca é de fazer cair o queixo.

O som da banda realmente é capaz de nos remeter a uma atmosfera marcial que faz jus ao próprio nome: parece que somos capazes de experimentar tensão preliminar que acompanha a chegada silenciosa, sorrateira, de um exército a caminho. As projeções confirmam essa impressão e mostram cenas de trincheiras, crateras causadas por bombas e florestas sombrias que abrigam o misterioso inimigo. A intensidade crescente da música tenciona o ambiente e cria uma expectativa de final apoteótico, que quando chega é dissolvido pelas chiadeiras infernais das dezenas de efeitos. 

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Os shows são rápidos mas conseguem deixar um rastro que fixa na mente da plateia. Caras atônitas se entreolham ainda tímidas e um tanto quanto surpresas ao final das apresentações. Os shows ainda rendem uma boa dose de comentários mesmo quando os grupos saem do palco. Todo mundo parece ter ficado um pouco impressionado com as apresentações; e os comentários suscitados mais tarde, numa mesa de bar, sugerem que a minha impressão de surpresa, longe de ser única, tomou por completo as mentes da seleta plateia.

Resenha por: Thiago “Tuba” Panini


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