Entrevista: Projeto Crosses

Entrevista: Projeto Crosses

jan 24

Alexandre Luis é um multi-instrumentista nascido nos EUA e  que vive no Brasil desde bebê. Em ‘terras tupiniquins’, dividiu sua vida entre as cidades de Sorocaba e Franca, onde  faz parte de diversas trabalhos musicais.  Além das parcerias,   ‘Alex’ acaba de lançar seu projeto solo: Crosses.  Tal EP foi gravado sozinho(praticamente), com voz e violão, falando de maneira simples sobre como ele enxerga seu cotidiano: são  5 músicas que você pode ouvir no link abaixo.  

http://overcrosses.bandcamp.com/

 

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Guerrilha Gig: Como surgiu o projeto Crosses? Quais pensamentos, idéias e vivências influenciaram esse novo projeto?
Projeto Crosses: Cara, o Crosses é antigo (haha!), mas era um projeto de gaveta, sei lá, todo mundo tem as suas músicas de gaveta, aquelas que terminou e guardou sem mostrar pra alguém, as vezes por vergonha ou porque não encaixava no estilo da banda que tava, sabe? Aí é isso, sempre escrevi (sempre mal haha), e sempre guardei. Acho que o primeiro soco que eu levei foi a banda Pivetes, a uns 3, 4 anos atrás. Eu juro que fiquei chocado com um cara e um violão gritando coisas do dia a dia dele que podiam acontecer no meu. Acho que foi a partir daí que eu comecei a escrever a sério e dar corpo pras coisas.

Guerrilha Gig: Antes de mudar para Franca, você morava em Sorocaba. Tal cidade é marcada pela explosão da música independente desde os anos 80 com Vzyadoq Moe(influência do Chico Science), depois Wry, depois Biggs, depois com The Name, Mavka, Dropy, INI e tantos outros nomes. Por quantos anos você viveu em Sorocaba e como a cidade influenciou a sua vivência musical?
Projeto Crosses: Vivi em Sorocaba mais tempo do que eu lembro e uma das coisas que mais me arrependo hoje é não ter participado da cena cedo e não ter visto nenhum show da Wry ou do The Name antes de pararem, só ouço falar. Me dei conta que existia cena independente em Sorocaba em 2009 só, em um show da The Sams HC, INI e uma terceira banda que não lembro agora, e depois desse dia comecei a perseguir tantos lugares que davam espaço pra cena quanto eu podia: O Rasgada com o Carne de Segunda, o Asteroid com o Showcase, o Avesso, foi daí eu entendi que era possível e palpável ter uma banda e fazer música com algum tipo de resposta.

Guerrilha Gig: Qual foi a sensação de se mudar pra Franca onde a cena da música autoral ainda é parca?
Projeto Crosses: Eu não sei o que é parca ahaha, mas admito que foi uma quebra de ritmo bem forte. Tive sorte de ter me mudado pra mesma casa do Guerrilha Gig e de tantos outros músicos, isso ajudou a suavizar. Franca é uma cena (musical/autoral) em construção ainda. Tem as bandas, mas o espaço semanal pra elas ainda tá sendo conquistado. 2012 já foi um ano gigante pra cena autoral em Franca com o Grito Rock, Guerrilha Gerador e o Zona Franca, 2013 virão as respostas disso, certeza.

GG: Porquê escolheu voz e violão? Quais bandas/programas/artistas você conhece nesse estilo que te inspiraram?
Projeto Crosses:  A simplicidade da voz/violão é animal. Pra mim, é a música no mais cru que ela pode estar, é só a melodia e o que o cara quer te falar. Eu sempre gostei de ouvir caras ou bandas assim porque é muito mais fácil prestar atenção na letra, sacar o que o cara tá sentindo enquanto canta, manja? Particularmente, pra mim cria um diálogo em que o cara tá me falando o que tá acontecendo com ele e eu to ouvindo pra ver se me identifico ou não. Paul Baribeau (http://paulbaribeau.bandcamp.com/album/unbearable) é um mestre disso. 50% desse cd dele descreveu a minha adolescência haha. Ouço muito Pivetes (http://pivetes.bandcamp.com) e Adult Braces (http://patgraham.bandcamp.com/), porque são caras que conseguem escrever de um jeito tão natural que não fica distante da sua realidade, tipo, eles estão falando sobre fazer buracos mordendo o lábio inferior, ou dormir no sofá e acordar cansado, se entediar ou como eles se decepcionam com alguém ou com eles mesmos o tempo inteiro. Coisas que acontece todo dia, saca?Uma das coisas mais bonitas que a internet já me deu foi a iniciativa do “Se você faz, mostre!” (http://ifyoumakeit.com/). O IYMI é uma produtora audiovisual que é 1 (UM!) cara do Brooklyn, que sozinho, com uma câmera e um microfone, grava centenas de bandas da cena independente estadunidense num sofá rosa (http://www.youtube.com/user/ifyoumakeit). Esse é o mais daora, dezenas de bandas que eu escuto desde moleque passaram por lá, e eu percebi que com os flangers, fuzzes e distorções eu nunca prestei atenção DE VERDADE no que eles estavam falando. Acho que essa simplicidade é panque demais. (Mas tenho vontade de fazer um acústico reverso do Crosses e gravar ele com banda inteira! hahaha)

GG: Porquê a escolha de cantar em inglês no Brasil? É um salve à sua nacionalidade americana?
Projeto Crosses: HAHAHAHA, não. É que a Crosses é o jeito que eu me expresso, sou eu tentando falar com pessoas sem falar com elas, por mais bobo que isso pareça hahaha. Coloquei uma música minha no Tumblr e recebi uma resposta só, de um cara da Polônia, que me escreveu pra me falar que aquele foi exatamente o jeito que ele se sentiu arrumando as coisas pra se mudar da casa que cresceu, coisa que seria mais difícil em português ou espanhol, sei lá. Acho mais fácil de me comunicar assim.

 GG: Qual a diferença da sua relação com o projeto Crosses com as outras bandas que você tocou ( The Sams, Mataram Meu Mestre) ou toca?  E, como é fazer parte de vários projetos musicais?
Projeto Crosses:  A diferença principal é que uma banda, qualquer banda, é uma mistura de todos, um pouco de cada membro, um pedaço de cada vivencia, gostos e ideias. Com a Crosses eu posso me preocupar menos com métrica, rima, sequencia, combinação. É mais simples, se eu to me sentindo bem com aquilo, fica aquilo mesmo.

MANO, tocar em várias bandas é muito daora! HAHAHA. É quase aquela teoria do mosaico, manja, que todo mundo tem uma personalidade pra cada grupo que se encontra. Eu consigo ser um músico diferente em cada banda, querer efeitos diferentes, me mexer diferente, gostar de coisas diferentes. 
A The Sams, Mataram Meu Mestre, Catexia e (possivelmente agora) a Francisco, El Hombre são únicas nos estilos que elas se propõem fazer, e é mó daora poder pensar diferente e ser outro cara em cada uma delas.

GG: O que o ‘nerd’ – nome do cão que está na capa do disco – significa pra você? Porquê você escolheu esse excêntrico cãozinho para capa do álbum?
Projeto Crosses: Esse EP são 5 músicas que contam o meu 2012, basicamente. O Nerd é uma das representações máximas desse ano pra mim. Ele é um amigo novo, como tantos que eu fiz em 2012, deitado em uma poltrona na minha casa de 2012, que por acaso é a mesma casa que eu perdi no final de 2012. O fato dele ser um cachorro também representa a Copa, a Marta e Pilha, que foram um dos melhores pontos do ano pra mim hahah, mas isso eu pensei agora só.

GG: Quais são os planos para o projeto? Pretende também tocar com banda? Tem idéias de parceiros na cabeça? planos para 2013?
Projeto Crosses:
Até o meio do ano eu quero MUITO gravar um EP split com o Andrei (<Insira o Nome da Banda Aqui>) e o Gringoo-VB (Pivetes), e as chances de ser como uma banda (bateria, guitarra e baixo) são muito grandes! Animaçãum 1000 UHuL!! Escrever e gravar o máximo que eu conseguir e tocar aonde eu puder nas chances que aparecerem hahah. Acho que o único plano de verdade que eu tenho pra Crosses é não deixar ela virar uma banda de gaveta de novo.

 

 

 


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