Como foi o Zona Franca

Como foi o Zona Franca

dez 28

No último Domingo, 25 de Novembro de 2012, aconteceu o primeiro Festival de Música Independente de Franca, o “Zona Franca”, que tirou de suas casas um público de quase 500 pessoas que não se importaram com o clima semi-chuvoso e compareceram em peso no clube A.A. Francana para curtirem um bom som.987_453838547986900_487322582_n

O evento contou com a apresentação de sete bandas independentes, das quais três são da cidade de Franca, o “Chute na Cara”, grupo do cenário hardcore, o “Cangoma”, tradicional grupo de tambores que também desenvolve um trabalho de pesquisa em cultura negra e popular, a banda de rock instrumental “Catexia”.

De fora vieram os grupos “Sin Ayuda”, de Taubaté, com seu rock impulsivo, também veio a galera do reggae do “Veja Luz”, de Taboão da Serra, a mineirada boa demais da conta, de BH, o “Lupe de Lupe”, e o duo de guitarra e bateria “Medialunas”, daqueles arredores tão peculiares, ao mesmo tempo perto e distantes um milhão de quilômetros em termos culturais, aquele outro Brasa, o Rio Grande do Sul, mais especificamente daquela cidade tri-perto de Porto Alegre, Guaíba.  

 

O evento faz parte de um projeto do Coletivo Cultural “Guerrilha Gig” contemplado pelo programa “Bolsa Cultura” da FEAC (Fundação de Esporte, Arte e Cultura, é… essa mistura louca mesmo), que, dentre outras finalidades, previa o auxílio financeiro a projetos que desenvolvessem atividades que estimulassem a circulação e produção de artistas da cidade de Franca e demais regiões.

Diga-se de passagem, esse é mais um belo exemplo de como as instituições públicas podem, e devem estimular atividades realizadas pela sociedade civil organizada ao entorno de interesses comuns, cuja contrapartida é infinitamente pequena se comparada com os ótimos resultados obtidos. Perguntem àqueles que foram ao evento, não pagaram nada e ainda tiveram a chance de aproveitar de excelentes performances ao vivo de bandas que dificilmente veriam dando sopa por aqui.

O site de música independente “Trama Virtual” soltou uma nota elogiando o line-up do Festival, e não é para menos, as bandas que tocaram se sucediam numa melhora constante das apresentações, uma melhor que a outra, gerando a confiança no público de que se tratava de um evento de verdade, recheado do que há de mais fino no cenário independente dos mais variados estilos.

E quando falamos em variados estilos, entenda-se o período na mais ferrenha noção do termo. A variedade de tribos era, no mínimo, inusitada para uma cidade como Franca. Hardocores, skatistas, hypes, metaleiros, hardrockers, regueiros, e por aí vai. A ideia de promover a diversidade musical foi seguida ao pé da letra, mais uma vez, com muita maestria pelo pessoal do Coletivo Guerrilha Gig.

Chute na Cara

O fest21707_454921434545278_1479008948_nival, que estava previsto para começar as 15h:00 atrasou muito pouco, começando logo às 15h:30 com a primeira atração: o Chute na Cara, banda de hardcore pesadíssima de Franca. Tatuagens, bonés aba reta, camisetas de banda encimadas por caras invocadas que escondiam pessoas agradabilíssimas e de boa disposição e educação; esse era o pitoresco cenário do começo do Festival, momento em que ia chegando público fiel do hardcore de Franca.

Insuspeitos de existirem numa cidade dominada pelo Sertanojo Universitário e por aqueles montes de mais do mesmo, indecifráveis, que só variam nos nomes, as pessoas dessa tribo deram mostras de que o amor em comum por coisas como o skate, a boa música e apontar o dedo nas feridas urbanas ainda está de pé na veneranda senhora Franca do Imperador.

O som do “Chute na Cara” é poderoso. Riffs pesados marcam um instrumental impecável acompanhado da voz gutural que articula toda sorte de impropérios e os destina aos “filhos da p*” que povoam o mundão. Nazistas e fascistas ganham um espaço privilegiado, com direito a uma música só para eles. O pequeno, mas fiel público acompanhou os músicos aos berros e saltos com socos e pulos para o ar e, por vezes, se jogando de encontro às paredes, criando um clima misto de caos e intimidade, que apesar de contar com poucas pessoas, parecia querer derrubar, literalmente, as paredes do ambiente.

Mensagens de crítica intercalavam a sequencia das músicas, as quais eram prontamente confirmadas pela plateia, com acenos de cabeça e braços levantados para o ar em sinal de aprovação. O show acabou rápido, afinal, as músicas raramente passam dos três minutos de duração. Muitos aplausos e agradecimentos dos dois lados encerraram a primeira apresentação do Festival que prometia muita coisa boa para aquela tarde.

Catexia

Já era tempo da segunda banda subir ao palco, o grupo de reggae “Veja Luz”, mas os caras ainda não haviam chegado. Ao que parece, pegaram um atalho errado na estrada e tiveram de andar um pouco mais que o normal, dando brecha pras piadinhas, mas tudo num clima de camaradagem, claro. Foi a vez de a produção dar mostras da boa organização, encaixando a terceira banda, “Catexia”, composta por membros e colaboradores do próprio Coletivo no lugar dos regueiros de Tabõao.     390246_454940584543363_598727556_n

Seus quatro integrantes subiram ao palco em meio a um furdunço de gente que começava a afluir porta adentro. As pessoas pareciam finalmente ter vencido a inércia domingueira e apareciam para ver as atrações. Nessa hora um público mais considerável já assistia ao início do show do grupo de rock instrumental francano, cujo som inclassificável (um verdadeiro quebra-cabeça aos tag makers de plantão), começou a encher o ambiente com muita psicodelia improvisada nos pedais, chamando a atenção da plateia que encarava o barulho um tanto quanto atônita.

Os músicos foram perdendo a vergonha inicial na medida em que as músicas levadas pelo baixão suingado, bateria frenética e duas guitarras criativas vão conquistando o público com suas atmosferas peculiares de belas calmarias muito bem cadenciadas, intercaladas por tormentosos crescendos que destilam a forte pegada da banda. Nesses momentos de auge, a música transcende aos músicos e instrumentos (que por essa altura já se encontram numa intrincada simbiose), se revelando numa onda que conecta público e banda num agito de corpos que buscam extravasar suas energias armazenadas. Todos se chacoalham, sentem a presença física da música.

O maravilhoso efeito de iluminação do ambiente ajuda um bom bocado com a ambientação das apresentações. O esquema de sintonia entre som e luzes de led deixa todo e qualquer movimento do palco muito mais expressivo. Nesse sentido, a “Catexia”, muito sabiamente utiliza-se desse recurso de efeito e manda uma excelente presença de palco, verdadeiramente irreprimível. Os músicos parecem querer acompanhar mecanicamente a “subida” que cada música enseja, terminando cada uma delas num clima de pós-orgasmo musical.

As melodias são muito bem trabalhadas, revelando uma preocupação com os mínimos detalhes, culminando numa apresentação que, mesmo revelando a pegada dos músicos, que constantemente se jogam pra todos os lados, não deixa de canto a excelência da técnica. Às vezes, as músicas que no início parecem canções de ninar para adultos, com lindas passagens que hipnotizam pela fineza, se despedaçam como taças atiradas ao chão, dando lugar a um impossível ritmo quebrado que antecede um momento posterior de gran finale de muita pegada de puro rock!

O final, bem ao estilo do começo, termina com uma apoteose de reverbs e delays no talo, acompanhado de fritações nos pedais, que dão a deixa da despedida da banda, tal qual entrara quarenta minutos antes.  

Veja Luz

É a vez do pessoal do “Veja Luz”, que chegou no meio da apresentação da segunda banda, subir ao palco. A banda, com seus cinco integrantes, é um aglomerado onde reinam os dreads e a boa vibe de uma galera que é muito ponta firme e batalhadora. Seus integrantes afirmam que conseguem viver apenas da música independente. Diferentemente do que costumamos ouvir de outros grupos nesse cenário, essa galera do reggae conseguiu deixar de lado outras preocupações que pudessem atrapalhar o trabalho musical do grupo e anda pelo Brasil afora divulgando a turnê do seu recém-lançado álbum homônimo “Veja Luz”.

Há que se ponderar, obviamente, que o reggae conta com um público maior que o do rock, por exemplo, fator que colabora, mas que, sozinho, não explica por si só o sucesso do grupo. É quando sobem ao palco que a verdade se descortina. Os músicos tem muito domínio do som que fazem, conseguindo conquistar a galera logo nas primeiras músicas. Conhecem o verso e o reverso do estilo que tocam, o que colabora e muito para que a pegada possa variar a cada música, indo desde um quase ska, as vezes, à umas arriscadas de dub, rap, ragga, tudo com muita firmeza na situação.

73820_454960237874731_631403037_nAs letras que invocam Jah, a liberdade e a paz, e buscam “respirar o ar da vida”, seguem bastante o estilo que marca a vertente musical do grupo. Ora com motivos de contestação, ora de redenção e contemplação, os hinos da banda seguem firmemente a cartilha do reggae, mas sem cair na mesmice.

A presença de palco é admirável. Iguala-se à firmeza da execução musical e, juntas, não deixam ninguém da plateia apática ao rolê todo. A banda tem o público nas mãos. Adultos, jovens e até crianças se deixam embalar pelo som dos caras. O vocal, usando a música e o microfone como sua arma, aponta seus dardos imaginários e os lança às pessoas que retribuem a boa vibe de volta na forma de espontâneos movimentos corporais.

Os músicos tocam muito. O teclado supre a um só tempo os sons típicos de base do reggae e também assume a posição dos metais. O baixo leva a maioria das músicas, revelando o peso típico que o instrumento tem no estilo musical, fazendo tremer a caixa torácica da plateia. A guitarra, não se limitando a marcar o tempo, parte pra solos quase jazzísticos de admirável perfeição em sua execução. É, definitivamente, uma excelente banda de reggae.

O grupo, que acabara de voltar de uma turnê pelo Nordestão brabo do Brasil, aceitou o convite para tocar em Franca e não suspeitava que fosse recebida com tanto axé aqui no “Sul Maravilha”. Por essa altura, trouxeram de carona o Sol que tanto estava fazendo falta naquele domingo muxoxo de final de mês, terminando o show com gostinho de quero mais na boca de todos que gritavam “Biz!” freneticamente.

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O quarto grupo a se apresentar veio na forma de uma surpresa agradável. Todos sabiam que o “Cangoma”, grupo tradicional da cidade, iria se apresentar, mas ninguém avistava seus integrantes nos arredores do palco. Onde andariam seus membros? A galera, aproveitando a brecha do intervalo entre as bandas, procurava um ar mais fresco na parte descoberta do clube, onde procuravam se sentar nas aconchegantes mesinhas de concreto debaixo das frondosas árvores e, ainda por cima, desfrutar de um pôr-do-sol que todos duvidavam que desse o ar da graça naquele dia.

Em meio ao descanso geral, eis que surge, no alto da rampa que desce na direção da parte coberta do clube, onde se encontra o palco, um grupo de pessoas devidamente trajadas com seus costumes típicos afro-brasileiros, munidos de seus tambores e apitos, começando a chamar a atenção da galera ao “descerem a ladeira” levando a batucada e todo mundo para a área interna.

Os gritos de “Maracatu” aliado ao som potente dos tambores, reuniu todo mundo em volta do grupo. As pessoas se despojavam de seus pertences mais incômodos e caiam na gandaia, gingando, cantando, dançando e batendo palmas com os músicos. A massa sacolejante que descia a rampa fazia até disparar o alarme dos carros estacionados na parte de dentro do clube, tamanho o poder da sonzeira que destilava.

O Cangoma é mais do que música. Isso fica claro por “n” motivos, dentre os quais, um deles ser o de o grupo manter um núcleo de estudos sobre cultura popular. Mas ali, vendo a coisa no preto e no branco, a gente já pode perceber o quanto os caras são versáteis e sabem como produzir um verdadeiro espetáculo por onde passam. A indumentária cuidadosamente confeccionada, os dançarinos que executam com perfeição as bailadas, a música que parece se alojar até no último fio de cabelo de quem está em volta (sem o auxílio de microfones), tudo parece colaborar para que o show (na acepção mais ampla do termo) possa acontecer da melhor maneira.

Seus membros entoam cantigas do imaginário popular, com fortes traços da presença afro (como não poderia deixar de ser no Brasil, onde a cultura negra adentrou mais no espaço de uma “cultura comum” do que o pretenso universalismo cultural europeu). As pessoas que cada vez mais vão assomando, acompanham aos gritos as entoadas do cantador que, quando ataca com o apito, trás todo o peso dos tambores que enchem o ambiente com uma facilidade absurda.

Olhando de dentro do ambiente do palco, fica difícil distinguir músicos e plateia, tão em sintonia estarem nos momentos de auge dos tambores. Poucos, praticamente ninguém, são aqueles que não arriscam uns passos de maracatu. Até o pessoal que cuidava do bar entrou na onda e deslizava pelo chão escorregadio e batia contra as mesas de alumínio no ritmo no som do grupo. Todos deixaram um pouco a seriedade de lado e voltaram por alguns minutos aos bons tempos de infância. E assim foi até o final da apresentação do Cangoma, que durou pouco mais de meia hora.

 

Sin Ayuda

A banda de Taubaté começa seu show e as pessoas voltam num piscar de olhos para assisti-los.syn Seus quatro integrantes, dois guitarras, um baixista e um batera, atacam seu rock com uma pegada que lembra a tradição do Britrock (que, no caso deles, vem desde Beatles até Libertines), passando por pitadas de Rock Clássico, apresentando uma sonoridade bastante diferente do tradicional arroz com feijão do rock.

Distorções pesadas e bastante uso do reverb marcam um som típico de guitarras. A presença shoegazer dos integrantes não é tão interativa quanto a das bandas anteriores. É definitivamente um som para se ouvir. A pergunta é: será que o público de Franca estaria preparado para uma apresentação dessas? E a resposta não tardou a aparecer. A presença tenaz do público provou que sim. Os olhos curiosos perscrutavam os instrumentos, deixando que o som completasse a tarefa de se conectar, quase que misticamente, àqueles objetos sonoros. 

Os riffs de guitarra da banda prendem a atenção de qualquer um e prometem não sair da cabeça mesmo de quem apenas entrava no ambiente para pegar uma cerveja. É daqueles que vão colar e você vai sair assoviando sem nem se dar conta. Os solos conseguiam criar atmosferas transcendentais, carregadas de reverb, levando as músicas em ondas de imensidão guitarrísticas.

Dois integrantes dividem os vocais em inglês que se desenvolvem sem quaisquer pretensões de se destacarem, trabalhando apenas no básico, o que deixa a sonoridade bem parecida com a de bandas hardcores que são mais raça e menos técnica. Trabalham bem uma tradição que parece não dar muito valor à excelência das vozes. No entanto, a divertida variação entre três vozes “raçudas” não deixa de intrigar e contribui muito para dar a cara da sonoridade do grupo. 

Toda a apresentação do grupo é marcada por muita pegada. A banda não faz apelo a virtuosismos de qualquer tipo, pelo contrário, apresentam à plateia um som conciso, que não exagera nos detalhes e esbanja um rock pesado. Estava dada a largada para a onda de rock que marcaria as últimas duas apresentações que se seguiriam.

O show termina e os meninos de Belo Horizonte já estão prontos pra subir no palco. Aos assovios de riffs da banda anterior, o Lupe de Lupe prova a previsão e vai se aprumando para mais uma apresentação de peso.  

Lupe de Lupe

As pessoas ainda não revelam ter sido atingidas pelo cansaço à caminho da sexta hora de Festival, momento em que o Lupe de Lupe sobe ao palco. A banda dos mineiros de BH revela traços de influências muito variadas. Assim pelo menos parece anunciar a camiseta que o guitarrista trajava, que em escritos brancos sobre um fundo preto anuncia: “J Dilla Changed My Life”.

ldlPara além das influências individuais, o grupo guarda uma pontinha de hardcore melódico, perceptível somente se encarado como pano de fundo ou como influência distante. Muitas outras vertentes do rock se assomam ao som dos caras. Pode-se até perceber, como linha de base, uma tradição de indie-rock americano das antigas como Sonic Youth, Dinosaur Jr. ou Superchunk, o que faz com que cada faixa que a banda toca soe bastante diferente da anterior.

O indie-rock é o que vem mais fácil para uma possível rotulação. Com essa pegada sui generis de indie-rock brasileiro, o Lupe de Lupe pode concorrer com bandas consagradas do estilo, como Los Hermanos ou Vanguart em termos de qualidade técnica e acessibilidade musical. Suas músicas agradam, pela variedade, a uma ampla gama de exigentes ouvintes que podem gostar tanto de rock, quanto MPB ou samba, e que percebem, no som do Lupe de Lupe, tudo isso junto e misturado.

Os três integrantes das cordas dividem os vocais que entoam cantos muito interessantes quando trabalhados em conjunto.  A presença de palco não fica atrás e empolga a todos. O final do show é o momento épico que fecha a atuação do grupo no palco: ensandecidos, em puro transe musical, na hora de fritar seus pedais e instrumentos contra os amplificadores, o guitarrista pega sua guitarra, bate-a contra o ampli para depois atirá-la contra a parede e deixa-la largada no chão, imóvel após a traumática extravasada de seu dono. Não tem como ficar apático depois de uma dessas.

O público ovaciona a banda que com seu som potente, mostra que o rock nacional ainda está vivo, muito obrigado, e deglutindo muito bem as influências mundiais para digeri-las e criar uma nova sonoridade que destila milhares de influencias e mesmo assim tem uma cara própria estampada no seu som.

Medialunas

305558_455028767867878_1082689039_nChegou a vez do casal de Guaíba, Rio Grande do Sul, fazer a derradeira apresentação do evento e fechar com chave de ouro. Por essa altura era grande o receio de que o público debandasse e deixasse a última banda a ver navios. O segredo era a banda não falhar em sua apresentação, cativando as pessoas que já estavam meio dispersas.

Num primeiro olhar, o simpático e tímido duo composto por um guitarrista e uma baterista, parece que não vai conseguir dar conta do recado. Esse preconceito baseado na simplicidade e humildade que o casal esbanja provou-se muito errôneo, no momento em que encima do palco, os dois começaram a tocar. Àqueles que duvidavam, o som pesadíssimo do Medialunas estava lá para queimar a língua.

O som dos caras é algo que beira o divino. Ouvindo o álbum de estúdio a gente dificilmente tem a compreensão total do que acontece quando essas duas pessoas apresentam seu som ao vivo. Se você fechasse os olhos durante o show, juraria de pé junto que não se tratar apenas de um som de dois integrantes, tamanha é a potência e a completude da sonoridade que eles mandam.

A linha de guitarra é magnífica (se se leva em conta, ainda, que o pedal de distorção do guitarra estava quebrado, a gente não pode deixar de admirar a maestria com que coordena o instrumento) . Os solos e as bases de dedilhados que suprem o baixo casam maravilhosamente bem e não deixam de lembrar o estilo de um The Machine na guitarra: potente, conciso e virtuoso.

A batera tocada por uma menina meiga, que se revela uma monstra quando toca, deixa muito marmanjo boquiaberto. As viradas são precisas e enchem o som do ambiente. Ela faz o impossível no instrumento sem desmanchar a cara de boa moça e sem revelar o grande esforço que a pegada que tocam exige.

As linhas de vozes alternadas são irreprimíveis. Eles não precisavam cantar, o som já faz tudo sem a necessidade das vozes e, ainda assim, o duo preza por vocais precisos e muito bem articulados quando juntos. As letras alternam entre o inglês, o espanhol e o português com bastante naturalidade.

Com seu som pesado, mas limpo (pode-se ouvir nitidamente cada nota soada), a banda do casal fecha a noite de eventos com uma sonzeira sem igual. Valeu a pena para quem teve tutano de esperar e pôde se deliciar com essa revelação mais que agradável que é a música do Medialunas.

Escrito por: Thiago Panini Primolan (Tuba).


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