Zona Franca confirma Lupe de Lupe (Belo Horizonte/MG) + Entrevista

Zona Franca confirma Lupe de Lupe (Belo Horizonte/MG) + Entrevista

nov 18

 

 Guerrilha Gig: Como surgiu a banda e quais as influências (não só musicais) que vocês carregam no som de vocês?
Lupe de Lupe:  A banda surgiu entre o final de 2008 e início de 2009. No início tocávamos covers de bandas alternativas internacionais, mas rapidamente começamos a querer escrever as nossas coisas e tentar levar a banda a sério. Desde o início fomos muito influenciados por Sonic Youth, Smashing Pumpkins, Pixies, Pavement, The Smiths e a brasileira Ludovic. Com o tempo entraram outras influencias, até que a gente encontrou o nosso som mesmo e o nosso tipo de composição. Hoje em dia temos a nossa própria voz, por assim dizer. Eu acho que as nossas letras que carregam a nossa maior ideologia: a idéia de honestidade na música. Hoje em dia a gente tenta ser sincero sobre quem a gente é e o que a gente faz, e isso fica claro quando as pessoas leem as nossas letras. 

Guerrilha Gig: Como nascem as composições? Rolam muitas jans sessions ou alguém alguém aparece com algo mais determinado?
Lupe de Lupe: É diferente de música pra música. Por exemplo, “A Escrava Isaura”, o Renan tinha chegado com ela praticamente pronta no violão, acordes e letra, aí nós pegamos a música e transformamos ela no que ela é hoje. Antes ela era apenas um sambinha. Mesma coisa foi com “Mar Morto”, que aí no caso eu cheguei com ela praticamente pronta no violão também. Mas acontece de vez em quando de alguém chegar só com uns acordes basicões e a banda criar tudo, e aí, só depois a pessoa que trouxe os primeiros acordes leva a música pra casa e faz a letra. Isso foi o caso de “Enquanto Pensa no Futuro”. Na época, o Gustavo ainda estava inseguro de compôr e tal. Hahaha. Mas assim, acho primordial que cada um cante a letra que fez. As nossas letras tem muito a ver com coisas que sentimos na nossa vida. É isso que dá a multiplicidade de personalidades nos nossos discos. O meu estilo de escrever é diferente do do Renan, que por outro lado é diferente do do Gustavo. A Lupe de Lupe é uma banda sem autor específico, por excesso deles

GG: Como é a cena em BH? Existem muitas bandas e locais estruturados para se apresentar? (as pessoas aí cantam muito Belchior?)
LL:  Hahaha! Curiosamente, BH é uma cidade sem cena específica, por excesso delas. São várias pequenas cenas, e a maioria delas muito fechadas. Existem milhões de bandas e muitos locais estruturados para se apresentar. O único problema é que as pessoas se negam a escutar algo fora do seu nicho, geralmente. Conheço poucos que gostam de samba ou rap ou música instrumental e que vão num show nosso. Outro dia fiz uma piada com um amigo, nós estamos exatamente no meio de tudo, esse é o nosso problema. De um lado vemos amigos que vivem a versão moderna da passeata contra a guitarra elétrica (e que não aguentam nada que seja moderno ou que pareça algo que vem de fora) e do outro vemos amigos que vivem a consciência enlatada do mundo ocidental (e que não aguentam ouvir música cantada em português). Sempre fomos punk demais para indies, e indies demais para punks. Pesados demais para a mpb, e mpb demais para os rockeiros de plantão. Se tivesse de existir uma cena que se influencia e que compartilha características parecidas, a cena em BH que participamos seria nós e a Quase Coadjuvante, e talvez mais duas bandas. Nunca seria uma cena real. O que existe em BH é uma espécie de rede de influências e políticas. Que nós simplesmente não nos envolvemos, preferimos ficar de fora. E por isso, imagino que a gente perde uma parte do grande público que poderia gostar da gente. Mas a gente não tem paciência pra politicagem.

GG: Qual a relação de vocês com o selo PopFuzz? Como foi o contato e o que mudou desde do diálogo com eles?
LL: A Popfuzz entrou em contato com a gente quando eles ficaram sabendo íamos lançar um disco novo. Já gostávamos de bandas da Popfuzz como Hierofante Púrpura e Sin Ayuda. Eles ainda ofereceram tudo que podíamos pedir para um lançamento. Foi como uma luva. Com o tempo eles viraram nossos amigos. Eles tentam nos ajudar sempre que podem. Sejamos sinceros também, hoje em dia, em termos musicais, o selo independente Popfuzz Records é o mais significativo do país. Só esse ano lançaram duas tijoladas de ouro: o novo disco do Jair Naves e o novo do Macaco Bong. Foi simplesmente sorte eles gostarem tanto da gente. Outra coisa, com o apoio deles, na quinta-feira passada (dia 15) trouxemos o nome da Popfuzz para BH de vez, quando fizemos uma festa de lançamento do nosso disco físico. A galera de Maceió adorou a idéia da gente fazer uma “Festa Popfuzz” em BH. Aí pra embalar chamamos os amigos da Quase Coadjuvante e da Tiro Williams (de Brasília) para tocar e foi lindo. Espero que essa festa seja a primeira de muitas. Tomara que continuemos companheiros pra sempre.

 

GG: Recentemente eu li uma resenha do Jair Naves sobre a banda onde ele dizia que o Lupe de Lupe é a maior aposta dele pro Rock independente nacional. Qual foi a reação da banda ao receber esse texto e onde e como se conheceram?
LL:  Cara, essa história do Jair Naves é absurda. Até hoje eu não acredito em como essas coisas acontecem. Um dia ele veio tocar aqui em BH e tal. Aí o baixista da banda dele, na época o Ali, tava na área de fumantes perto de mim e do Renan. Aí a gente foi falar com ele e tal sobre o show foda que eles fizeram. Sei lá o porquê, quando vimos, tava todo mundo (inclusive o Jair) rindo das bobagens que a gente falava. Aí acabamos indo prum bar beber juntos, contar histórias, essas coisas. Não sei se vocês conhecem o Jair, mas ele é um cara reservado e misterioso, sabe? Ele realmente tem uma aura de grandeza. A gente tem um pouco de reverência por ele. Até hoje é estranho ver ele falando bem da banda ou conversando e tal. O Ludovic e a carreira solo do Jair nos influenciam muito até hoje. A nossa banda toca “Janeiro Continua Sendo o Pior dos Meses” em quase todo o show, pra você ter noção. E é sempre muito forte. Assim também é a presença do Jair. Eu não sei nem explicar direito. Acho que a gente dá muita sorte de pessoas feito ele e a galera da Popfuzz gostarem da gente assim de graça. Às vezes as coisas dão certo pro nosso lado.

GG: Como foi a produção do CD Sal Grosso (2012) e quais os planos para 2013?
LL: Sempre gravamos no Estúdio Lúmen, que é o estúdio dos nosso amigos de longa data da banda Lúmen e tal. Lá a gente tem liberdade criativa total, dando opiniões, pedindo pra aumentar ou abaixar volume das coisas, etc. Tem muito volume em discos nossos que algum profissional do ramo não deixaria passar. O Cido e o Pedrinho (ambos da banda Lúmen) são grandes amigos nossos e eles entendem o que a gente quer com o nosso som. É verdade que a gente deixa eles loucos de vez em quando… Hahaha! Mas tudo se resolve quando a música é mixada e masterizada e você ouve essa energia que tem nos nossos discos. Não é em qualquer estúdio que dá pra gravar as coisas tão altas daquele jeito. Acontece alguma coisa lá que faz o nosso som ser tão característico. É um lo-fi muito específico, sei lá. Não é parecido com o lo-fi do Rio de Janeiro ou de São Paulo, sabe? 

Sobre 2013, a gente não sabe ainda, possivelmente lançar um EP, tipo o Recreio. E como a gente não tenta lei de incentivo, essas coisas, exige muito tempo e dinheiro. Por isso que não sabemos ainda direito. Vamos ver. E sobre shows, queríamos tocar de novo em São Paulo e talvez ir pro nordeste e sul, quem sabe né. Eu não fui no Rio de Janeiro ainda também.  

GG: Qual a expectativa para o Zona Franca – Primeiro Festival de Música Independente de Franca/SP?
LL: Somos todos rapazes do interior de Minas Gerais. Sabemos como é a energia de uma cidade do interior. Geralmente, os shows no interior são os melhores. Franca é meio que do tamanho da minha cidade natal (Governador Valadares). Quando eu era moleque tudo que eu queria era um Festival de Música Independente na minha cidade. Acho que talvez por isso as pessoas vão se identificar com as nossas histórias e nossas músicas. Porque a gente fala sobre como é ser de uma cidade do interior e sentir a necessidade de acreditar em si mesmo e nos seus sonhos, sabe? Ah é, e tem o fato do show ser aberto. Rola uma pressão maior de fazer um show bom. Não podemos ser vaiados nem coisa do tipo, né? Hahahaha. Acho que vai ser ótimo.

 

Baixe o disco “Sal Grosso” (2012)  de graça:
http://www.mediafire.com/?pbz9aiiuimlgvos 

http://www.lupedelupe.com.br