Resenha Guerrilha Gerador – 19/10 – Alarde e Mataram meu Mestre

Resenha Guerrilha Gerador – 19/10 – Alarde e Mataram meu Mestre

out 30

Cinco e meia da tarde de uma sexta-feira, 19 de Outubro de 2012. O Terminal Rodoviário da Estação não poderia estar mais abarrotado de gente de todos os tipos. São trabalhadores em sua maioria. Pessoas que acabam de deixar o trabalho e pegam mais uma condução para casa. Outros, ainda se encontram no meio da jornada de trabalho, trabalhando na função de levar e cobrar as passagens daqueles que vão e voltam de seus trabalhos. O local, portanto, é ponto obrigatório para uma multidão que não pode parar de se locomover.

O clima era bem sexta-feirense e a presença inesperada de músicos, instrumentos e toda uma roda de curiosos ao entorno do Coreto da Estação confirma a sensação da chegada da tão esperada liberdade do fim de semana. Duas bandas se apresentam num curto intervalo de tempo. O preço disso? Nada. Todos os presentes aproveitaram uma excelente performance musical num espaço já marcado pela mesmice da rotina do dia-a-dia. A surpresa era inevitável e aparecia estampada na cara de todos os presentes. “O que é isso?” era a pergunta que sombreava as faces mais curiosas.

Devagarzinho as pessoas foram tomando confiança e se sentindo mais a vontade para chegar perto do Coreto. A primeira banda a se apresentar, “Mataram Meu Mestre”, de Sorocaba, atacou uma bela mistura (difícil de classificar, diga-se de passagem) de rock alternativo, que tornou impossível a indiferença daqueles que passaram por ali. Seus quatro integrantes, munidos de um som com bastante pegada dançante, arrancaram do mecanicismo da rotina as pessoas que sempre passam pelo local e que, talvez, nunca tivessem se dado conta até aquele momento de que por ali existia um coreto. Aliás, não fosse por atividades como as ocorridas nesse dia e a presença incansável de um autofalante que começa a expelir um monte de informações aos usuários do terminal ao cair da tarde, a utilidade daquele belo coreto se tornaria bastante questionável.

A segunda banda a se apresentar é uma das mais notórias do cenário independente brasileiro. Seu nome é “Alarde”. O som dessa rapeize de São José dos Campos, que tem uma pegada forte que lembra o de bandas do grunge internacional e letras muito bem trabalhadas, não deixa escapar da memória a figura de Lobão e seus últimos álbuns recheados de riffs marcantes e letras profundas. A essa altura todos estão mais próximos da banda e alguns até arriscam uma leve chacoalhada aqui e outra acolá, nada que fira demais o decoro público, claro, afinal quem está acostumado a se libertar ao som de um rock no caminho de volta pra casa em pleno terminal no horário de pico?

Guerrilha Gerador #3Perguntamos a um transeunte de nome Marcelo, se ele já tinha visto algo como aquilo em Franca e a resposta era a prevista: nunca. O rapaz, que acabara de sair do trabalho e olhava admirado às apresentações das duas bandas, falou cheio de pesar que jamais tinha visto algo como aquilo, um Rock n’ Roll em plena rua! Ele afirmou que esse estilo musical, em Franca, não tinha muita saída: “já teve alguns anos atrás, mas é mais coisa de modinha, tipo o Raimundos, ou quando o Charlie Brown apareceu, o rock virou um boom aqui. Mas recentemente tá meio retraído né? Principalmente depois que aconteceu uma fatalidade lá na Unesp, então ficou um clima meio estranho pro rock aqui em Franca. Então, só quem curte mesmo tá aí no underground, que tá mais underground ainda em Franca”.

Um senhor que preferiu não se identificar, pois se dizia tímido, disse com uma pontada de indignação que mais apresentações como aquela precisavam acontecer na cidade: “tem a praça da capelinha, tem a praça do centro, tem outras praças pra divulgar o Rock n’ Roll, reviver o Rock n’ Roll!”. Um outro senhor, Mauro, cobrador de ônibus, que esteve presente durante as duas apresentações quase sem nem piscar os olhos, disse que também nunca havia visto coisa parecida na cidade e que para aquelas pessoas que ficam ali quase todo dia, coisas como aquela eram muito boas de acontecer.

Os shows foram intercalados por um intenso vai e vem de pessoas que não parou um minuto sequer. Talvez alguns tenham perdido a sua condução para ficar ali olhando a novidade, enquanto outros pareciam nem notar a presença barulhenta dos músicos e do pequeno público que se aglomerava ao entorno do local. As performances foram rápidas, se adequando à dinâmica da vida das pessoas que ali se encontram. A bem dizer, são curtas e finas, contrariando o decantado adágio popular.E esse parece ser justamenteum dos pontos fortes da ação do “Guerrilha Gerador”, projeto encabeçado pelo Coletivo Cultural “Guerrilha Gig”:o de oferecer uma bela chance de desfrutar uma excelente apresentação musical de forma rápida, indolor e ultra conveniente, afinal, não é todo dia que podemos ver duas bandas de peso tocando no caminho de volta para casa após o trabalho. 

Texto por: Thiago ‘Tuba’  Panini


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