Entrevista Bexigão de Pedra (São Carlos / SP) + Circuito Guerrilha Gerador #2 (Distrito Industrial )

Entrevista Bexigão de Pedra (São Carlos / SP) + Circuito Guerrilha Gerador #2 (Distrito Industrial )

set 15

Proseei com a ‘rapeize’ da banda instrumental são-carlense e juntos produzimos um material bem massa. Conversamos sobre a música instrumental , a cena de São Carlos, também sobre a expectativa para a apresentação em Franca, etc.  É uma honra dizer que eles se apresentam no Projeto Circuito Guerrilha Gerador Franca 2012 , na ação #2.  A intervenção será por volta das 17 horas, na próxima terça feira na praça  Dona Nina ‘Eurina da Silveira Borisse’ , no Distrito Industrial.   Confere a entrevista aí:

 

Pergunta –Como surgiu a banda e qual a relação desse nascimento com as atividades culturais já concretizadas em São Carlos desde essa época?
Resposta – Morando na mesma casa e sendo todos os integrantes em 2010 estudantes de Imagem e Som na Universidade Federal de São Carlos, tempo não faltava para dedicação às jamzinhas diárias e estudos do processo empírico de criação musical e expressão artística, bem como a pesquisa musical em estilos diferenciados e sessões de filmes underground na madrugada. Dessas experiencias, foram tomando forma as primeiras composições do Bexigão de Pedra, que tinham na sua essencia a precariedade e o imprevisto aliados a uma pegada rock e grooves inusitados. Influenciados pela cena instrumental que fervia ao final da década (Burro Morto, ATR, Pata de Elefante), a decisão por não compor letras foi bem facil de ser tomada e, com isso, as composições passaram ter como prioridade a criação de melodias executadas pelos prórprios instrumentos utilizados – na época ainda tinhamos um teclado, flauta doce e uma bexiga e havia um rodizio entre os integrantes.
Ao final de 2010, no Festival Universitário São Carlos Alternativo (FUSCA 2010) realizamos nosso primeiro show, dentro da UFSCar e, a partir daí, nossa relação com a produção cultural na cidade de São Carlos passou a se estreitar. No ano seguinte passamos a ser colaboradores dos coletivos Massa Coletiva, Aparelho Coletivo e Casa FDE Sanca, pontos Fora do Eixo que mantiveram uma alta e frequente produção de eventos musicais na cidade e que ajudaram muito no processo de evolução e amadurecimento da banda durante esse ano (2011) em que colaboramos trabalhando principalmente nos eventos, entendendo os processos que envolviam as atividades culturais aqui estabelecidas e a responsabilidade que temos ao se posicionar como artista/agente cultural. A relação com a equipe de produção do Festival CONTATO também sempre foi muito próxima (desde antes de formarmos a banda já haviamos trabalhado juntos no festival), tendo sido um grande campo de formação para todos os integrantes da banda nas mais diversas áreas (comunicação, produção, atendimento, etc). Atualmente o Bexigão de Pedra é um coletivo-banda que possui dois integrantes sendo núcleo durável do coletivo Casa FDE Sanca e os outros dois sendo colaboradores, o que ainda mantém muito estreita a relação entre o trabalho criativo da banda e a movimentação do cenário musical sãocarlense.

P -O que vocês ouvem, quais são as influências?
R –  Nossas referências são parecidas por alguns fatores, um deles é por termos quase a mesma idade. Outra é porque todos se encontraram em São Carlos para fazer o curso de Imagem e Som, então compartilhamos não só as referências musicais – também moramos juntos durante dois anos. Mas pensando em música, ouvir som na sala todo dia, tocar violão junto, ensaiar em casa no estudiozinho roots – então nesse tempo a gente ouviu/baixou muito disco de música brasileira, 60, 70, coisa nova também, bandas independentes novas, mas hoje em dia a gente escuta quase tudo. Apesar de gostarmos de várias coisas comuns, cada um tem artistas/décadas/músicas peculiares com os quais já se identificavam antes de morarmos juntos.

– O que vocês acham da cena instrumental hoje no brasil?
R- O instrumental ainda escuta “mas é só instrumental?” em metade dos lugares em que vai tocar; porém muitas cidades já teem suas próprias bandas instrumentais, e nesse sentido viemos de uma cidade, São Carlos, onde a cena já é bem estabelecida, citando por exemplo os Dead Rocks que estão a miliano firmando seu nome no Brasil e no mundo, ou os Aeromoças [e Tenistas Russas], Malditas Ovelhas! bandas com quem tivemos a oportunidade de conviver e frequentar jamzinhas e afins. 

“Olha eu viajo na profecia quando é pra fazer este tipo de análise…. a música de canção tá vivendo um suposto declínio na “qualidade” das composições textuais, com ‘tchu’,’tcha’, ‘créu’, ‘joga a mão pra cima’ e tal… eu analizo esse fenômeno não só como não-alarmante, mas também como legítimo, uma espécie de ‘preparação de terreno’ para a continuidade da revolução do usuário 2.0 na web… a estética do malacabado, enfim: segundo esta lógica acho que o instrumental tende a crescer como porto seguro pra onda reacionária que não gosta do Michel Teló – mas eu gosto, aliás, adoro ver as adolescentes gringas falando português, assim como sofro ao ver as nossas falando ‘fucking shit’ ” diz Subaco, guitarrista da banda.

 

P – O bexigão tem circulado bastante? Qual a dinâmica atual da banda e em quais cidades (fora sanca) já se apresentaram?
R – Não tivemos ainda oportunidade para circular fora do estado de São Paulo, no entanto, já tocamos em algumas cidades do interior como Bauru, Araraquara, Sorocaba, Taquaritinga, Marília, Ribeirão Preto, Itu e a intenção é fechar o ano com a conclusão da meta de tocar em mais cidades, incluindo São Paulo, e visitar pelo menos um outro estado que ainda não nos apresentamos, ainda indefinido. Alguma sugestão?
Há uns meses entramos em recesso para a gravação de um EP, no qual estamos investindo nossa própria força de trabalho para a sua conclusão, gravando no home-studio aqui da Casa FDE São Carlos, com nossas próprias técnicas de produção, num processo de formação para os 4 integrantes da banda e para todos os que estão envolvidos no projeto, por isso acabamos por não circular muito no primeiro semestre. Porém agora, com os festivais independentes que estão rolando por todo o segundo semestre a idéia é passar por essas cidades com o novo material na mão que está pra sair muito em breve!
Ainda não temos previsão exata para o lançamento, mas quem ficar atento às redes sociais receberá a notícia logo menos!

P– Como está a cena autoral em São carlos?
R – A cena autoral em São Carlos é bastante rica e diversificada, tendo organizados alguns grupos que se fortalecem para a construção de nichos que acabam por formar essa cena. O pessoal do hip hop é um bom exemplo, pois sempre estao produzindo eventos integrando o rap da cidade e a formação de coletivos de MCs de diversos grupos é uma prática comum que visa fortalecer o coletivo e, consequentemente, trazer maior visibilidade ao trabalho do Mc ou grupo que integra esse coletivo. Para não deixar de falar do rock, temos exemplos de movimentações interessantes nos estilos mais extremos, com diversas bandas, que realizam mini-festivais que duram um dia e comportam 6 ou mais bandas (de são carlos e de fora) que vão do Hard Core até o Death Metal. Como exemplos podemos citar as bandas Instinct Hate, Violent Illusion e Dysnomia. Há também o pessoal do Hard Rock que também está muito bem representado por bandas como Rocha Sólida, Stranhos Azuis, Ponto 50.
Caindo para o campo de atuação do Bexigão de Pedra, nós temos o instrumental, não como um genero, mas sim como um movimento, que vem numa crescente e é interessante a ser observado aqui em São Carlos, pois temos diversos nomes expressivos no cenário instrumental nacional e, apesar da clara diferença entre a linha estética das bandas, sempre buscamos integrar apresentações, projetos e fortalecer essa nova onda que está crescendo no país todo, pois sabemos que por ser instrumental as dificuldades são praticamente as mesmas que vamos nos deparar ao longo da trajetória específca de cada projeto. Podemos citar a The Dead Rocks, banda pioneira que, levando seu surf-rockabilly-western sãocarlense, rodou o Brasil todo e atingiu até a Europa e, quando nos encontramos em eventos, ou encontros informais, procuram transmitir algum conhecimento acumulado pela experiencia relacionado a composição, produção fonográfica, turnes, etc.
Atualmente talvez o nome com maior visibilidade é o das Aeromoças e Tenistas Russas que atualmente estão em turne pela Argentina em sua primeira viagem para fora do Brasil representando as bandas instrumentais independentes daqui. Outra banda são os parceiros do Malditas Ovelhas! que já rodou o Brasil também e hoje em dia estão em estúdio gravando seu primeiro disco, a ser lançado em 2013 e é muito aguardado também! Pra fechar o grupo das instrumentais sãocarlenses temos também os Aos Maníacos Símeis, que tem seus shows baseados em improviso e experimentações sonoras com efeitos eletronicos.

 

P – Vocês já vieram pra Franca, como foi essa apresentação e qual a expectativa pro rolê do Gerador?
R – Na nossa primeira visita à cidade tocamos em uma festa de aniversário da república Bagaço da Laranja, e foi demais!
O público universitário interagiu muito bem com nosso som. A casa estava cheia e muitas pessoas dançavam suadas enquanto outras se esgueiravam entre corpos para sair e tomar um ar ou mais um copo de breja hahaha, foi bem legal!
Como o rolê do Gerador vai ser na praça e no final da tarde, temos uma expectativa diferente: em vez de espreme-espreme e suor, esperamos encontrar o público local, incluindo universitários, num ambiente aberto e arejado onde é possível observar a banda e ouvir nosso som em condições completamente diferentes. Dessa forma, esperamos conseguir prender a atenção com nossas músicas e espalhar entre o público de Franca a nova música instrumental.

Mais informações:
 – Facebook   
– Toque no Brasil (informações compiladas) 

Lembrem-se: Bexigão se apresenta na terça agora, dia 18, por volta das 17 horas, na saída do distrito industrial!
Circuito Guerrilha Gerador Franca 2012
Realização: Guerrilha Gig
Apoio: Prefeitura Municipal de Franca e FEAC

 

 



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