Entrepontos 25 mai 2010
Segundo rolê com o coletivo Guerrilha Gig, desta vez com uma tropa diferente. Carlos, Clóvis, Anne e eu fomos para Itirapina, interior de São Paulo, para participar do Encontro Entrepontos, que fez parte do processo de integração entre os Pontos Fora do Eixo SP e os Pontos de Cultura SP, nos dias 22 e 23 de Maio.
UMA TARDE DE PALAVRAS…

A programação teve inicio com a oficina sobre a Lei 10.639, referente a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana na Educação do Ensino Fundamental e Médio, ministrada pela representante do Centro Cultural Orunmilá , Silvany Euclênio. Silvany debateu sobre exemplos de aplicação da lei, sobre como utilizar de recursos jurídicos para fazer com que a lei seja aplicada e, também sobre a luta constante para o reconhecimento da cultura afro-brasileira, sem que ela seja deturpada. A oficina atraiu bastante o interesse dos participantes que contribuíram com perguntas pertinentes sobre o assunto e rendeu um papo interessante sobre a luta dos negros pelos seus direitos no Brasil.
Após um breve intervalo para repormos as energias com um belo lanche cedido pela organização foi iniciada a oficina sobre Software Livre, ministrada por Carlos Gomes e Clóvis Parzewski, membros do Guerrilha Gig, que falaram sobre as vantagens para os pontos de cultura e também para a sociedade, da utilização dos Softwares Livres. Desde a criação do conceito de Software Livre até a crescente campanha que existe hoje em dia para a sua adoção por parte de órgãos públicos e empresas privadas, foram discutidos os princípios ideológicos e as facilidades de utilização e manuseio que fazem com que os Softwares Livres se tornem tão atrativos e práticos para a sociedade.

…UMA NOITE DE AÇÕES.
Depois de uma janta reenergizante, um descanso rápido e uma correriazinha para descolarmos camas para dormir (no final todos que estavam lá se acomodaram bem), fomos para a praça central de Itirapina, local onde iria acontecer a mostra artística do encontro com a participação dos Aeromoças e Tenistas Russas, do Centro Cultural Orunmilá, do Pontão circuito Caipira, do Produto Loco e da Família Pedra Negra.
A mostra começou com vários curtas que traziam a temática negra em seu roteiro: Alma Carioca – um choro de menino, Maré Capoeira, Você viu algum negro por aí, Davi contra os pau mandado de Golias, A Tal Guerreira e Carolina. Um fato interessante foi que o filme A tal guerreira falava sobre a cantora Clara Nunes e sua incorporação em um culto umbandista em Sorocaba-SP, fato que foi interpretado pelo por Paulo Cesar do Centro Cultural Orunmilá como uma deturpação da cultura negra. Paulo teve a iniciativa de deixar o curta acabar para depois se pronunciar para a população presente explicando que o que tinha sido retratado no curta não representava a cultura negra. Isto deve ter despertado vários questionamentos nas cabeças dos presentes, agora espero que eles procurem esclarecê-las, ai sim estaremos tendo um progresso em relação à comunidade procurar se esclarecer sobre uma das culturas base da formação do Brasil.
A continuação ficou nas mãos da banda de São Carlos Aeromoças e Tenistas Russas, que levaram o rock instrumental para a cidade, que aparentemente curtiu bastante pois a procura do Álbum deles foi bem grande na banquinha Fora do Eixo montada na praça. A participação especial de mestre Lubumba na percussão deu um toque natural ao som plugado da banda. A próxima atração ficou por conta do Centro Cultural Orunmilá com dança e musica afro, que conseguiu chamar mais ainda a atenção da população que se apertava para ver de perto a dança contagiante regida pela percussão ritmizada abrindo alas para a parte jovem do Orunmilá, que fez seu som de pegada mais aproximada ao que entendemos por samba-rock.
Ao final de toda esta mistura cultural o Rap apareceu com a dupla de Itapecerica da Serra, Produto Loco. Os dois não deixaram a rima desandar e mostraram a face do Rap voltada para a critica social e a necessidade de expressão, incluindo ainda rimas produzidas no dia, tendo como tema o encontro e abrindo espaço para a ultima atração da noite. A Família Pedra Negra mostrou também um som de qualidade com letras acidas que expressam o dia-a-dia do local em que vivem. Detalhe interessante para o DJ que comandou as pick-ups e aproveitou um bug sonoro que deu em um note para fazer um sampler e não deixar a batida da musica desandar. Palmas para ele!!!!

Lembrando que toda a mostra foi transmitida pela Web radio Fora do Eixo com um pico de 21 ouvintes. Em um fim de semana de Virada Cultural e mais duas transmissões simultâneas, saímos satisfeitos pelo publico que começa a se formar nas transmissões realizadas.
…E UMA MANHÃ DE ESCLARECIMENTOS.
Após uma noite de arte e cultura com uma pitada de frio, acordamos no domingo já quase no dead line do café da manhã, mas acabou dando tempo para um cafezinho, bolo e pão.
A próxima tarefa era a transmissão da ultima oficina que abordava o assunto tão útil tanto para os pontos de cultura como para os pontos fora do eixo: Os editais.
O edital discutido em questão foi o do III Premio Interações Estéticas, trabalhado pelo pessoal de Rio Claro que também encabeçou o debate sobre o Projeto Tuxáua, de circulação e interação dos pontos de cultura. Demos inicio a transmissão e registro e seguimos até a hora do almoço.
Após o almoço conforme as atividades foram reiniciando nós nos despedíamos e passávamos a bola para o Felipe, do Massa Coletiva, continuar na transmissão do encontro. E pé na estrada.
Encontros como este e o ocorrido em Ribeirão Preto no inicio do mês mostram a importância da integração não só entre pontos de cultura e fora do eixo, mas entre toda e qualquer pessoa interessada em participar da fomentação de culturas e paradigmas diferentes das quais estão acostumados; entre agentes transformadores da realidade sociocultural de qualquer ponto do país; e entre qualquer pessoa que se interesse em promover a formação de novos conceitos e pontos de vista.


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